Caso ocorrido em São Paulo reacende debate sobre qualificação profissional e fiscalização no setor de piscinas comerciais. Após caso em São Paulo envolvendo suspeita de intoxicação em piscina, especialista destaca a importância do controle técnico e da qualificação profissional.

A morte da jovem Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, após participar de uma aula de natação em uma academia na Zona Leste de São Paulo, trouxe preocupação sobre a segurança na operação de piscinas no Brasil.
Segundo informações iniciais, a principal suspeita é de que a vítima tenha sido intoxicada ao inalar uma mistura de produtos químicos utilizados no tratamento da água. No local, investigadores encontraram um balde com cerca de 20 litros dessa substância, e outras pessoas também precisaram de atendimento médico.
Além disso, a academia foi interditada pela Vigilância Sanitária por não possuir alvará de funcionamento.
O uso de produtos químicos em piscinas é essencial para garantir a qualidade da água. No entanto, quando utilizados de forma incorreta — especialmente em combinações inadequadas — podem gerar gases tóxicos e representar riscos à saúde.
Entre os efeitos mais comuns estão:
Segundo o especialista Sergio Rodrigo Monteiro, que atua com piscinas comerciais no Brasil e possui experiência nos Estados Unidos, o problema não está no uso dos produtos, mas na falta de controle técnico adequado.
“Produto químico não é o risco. O risco é quem está manipulando sem conhecimento técnico”, afirma.
De acordo com o especialista, situações como essa geralmente estão associadas a falhas operacionais evitáveis.
Entre os principais erros estão:
“Esses processos precisam seguir regras técnicas. Quando isso não acontece, o ambiente deixa de ser seguro”, explica Sergio Rodrigo Monteiro.
Um dos pontos destacados por especialistas é a diferença na regulamentação entre países.
Nos Estados Unidos, por exemplo, é comum a exigência de certificação técnica para operadores de piscinas comerciais, como a certificação CPO (Certified Pool Operator).
Essa certificação garante que o profissional tenha conhecimento sobre:
Segundo Sergio, essa exigência reduz significativamente a ocorrência de incidentes.
“Se houvesse uma exigência técnica obrigatória como existe lá fora, muitos desses casos poderiam ser evitados”, afirma.
Outro fator relevante no caso foi a ausência de alvará de funcionamento da academia, o que levanta questionamentos sobre a fiscalização e o cumprimento das normas.
Para especialistas, a combinação entre:
cria um cenário de alto risco.
O crescimento do número de academias, clubes e empreendimentos com piscinas exige um avanço na profissionalização do setor.
Segundo Sergio Rodrigo Monteiro, a operação de piscinas deve ser tratada como uma atividade técnica e não apenas operacional.
“Estamos falando de saúde pública. Não é algo que pode ser feito sem preparo”, destaca.
A formação técnica permite que o profissional:
Essa preparação é vista como um dos principais fatores para reduzir acidentes.
O caso ocorrido em São Paulo não deve ser tratado como um evento isolado, mas como um alerta para a necessidade de evolução do setor.
A adoção de padrões mais técnicos, maior fiscalização e exigência de qualificação profissional são apontadas como caminhos para aumentar a segurança.
A suspeita de intoxicação em uma piscina em São Paulo reforça a importância de um tema ainda pouco discutido no Brasil: o controle técnico na operação de ambientes aquáticos.
A experiência internacional mostra que exigência de qualificação e protocolos rigorosos podem reduzir riscos de forma significativa.
Nesse cenário, especialistas defendem que a evolução do setor passa necessariamente pela profissionalização e pelo conhecimento técnico — fatores essenciais para garantir segurança e eficiência.